Obra

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Ao analisarmos a obra de Cruz Louro ao longo da linha temporal, sentimos que o tempo e as viagens o fizeram ver que “a Beleza estava em todos os lados para onde me voltasse” (em Álbum Ilustrado – Terras de Portugal,  1973). A sua produção artística nas décadas de 30 e 40 representa maioritariamente monumentos ou lugares importantes de várias localidades de Portugal. Os anos 50 mostram-nos a Índia em todo o seu esplendor, com maravilhosos templos e igrejas. A década de 60 foca-se em Moçambique, e, a pouco e pouco, podemos ver a transição do desenho de grandes monumentos, para o registo de paisagens e detalhes do quotidiano. No regresso a Portugal, reproduz, nos seus desenhos à pena de 1970 e 1980, a beleza que transborda de cada esquina do seu querido Alentejo. Após quase ter dado a volta ao mundo, sentimos essa paixão de pertença à terra natal, mostrando-nos que a beleza é inerente à vida, e merece ser representada em todas as suas formas.

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Fotografia de Cruz Louro de 1984, como a maioria dos habitantes ainda se recorda dele:  Sempre com a sua bicicleta, de chinelos indianos, desenhando nas ruas de Vila Nova de São Bento.

Citando mais uma vez as suas palavras, “a minha maior ambição, era a de transmitir ao papel, tudo quanto via e sentia, sem a transfigurar, sem mentir, sem fugir à Verdade. Queria ser descritivo, queria ser mais do que um escritor ou um poeta; queria, enfim, que os meus desenhos falassem e contassem aos vindouros, à História, pela imagem, por onde passei e pelo que desenhei”.

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O pintor, em 1988, com a última exposição que organizou e os postais editados por si.

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