Vida

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Francisco da Cruz Louro nasce a 14 de Setembro de 1903, em Aldeia Nova de São Bento (elevada a vila em 19 de abril de 1988).

Filho de Manuel Mendes Louro e Antónia da Conceição Preto Louro, tinha seis irmãos: Pedro Martins Louro, Maria do Rosário Louro, Bárbara Joaquina Louro Dionísio, Manuel José Preto Louro, José Mendes Louro e António Mendes Louro. Ao contrário dos irmãos, que trabalhavam na loja da família, Cruz Louro quis, desde sempre, prosseguir os estudos. Inicialmente, apenas pretendia ser professor primário mas, ao tomar consciência da sua apetência para o desenho, traçou como meta obter o diploma do Curso Superior de Belas Artes. Saiu, então, da aldeia onde vivia com a família, para continuar os seus estudos.

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Fotografia dos anos 10 com Francisco da Cruz Louro, à direita, acompanhado dos seus irmãos.

Sem qualquer apoio económico, trabalhou sempre para se sustentar. Aos 26 anos, com a profissão de “empregado no comércio”, conclui o curso da Escola Comercial de Ferreira Borges (Carta de Curso de 14 de Julho de 1930). Em 1933 termina o curso de “Habilitação às Escolas de Belas Artes” na Escola Industrial de Fonseca Benevides (Diploma de 21 de Agosto de 1933).

Por esta altura já deixara o trabalho no comércio, tendo passado a desempenhar funções de “servente-jornaleiro”, primeiro na Escola Industrial de Fonseca Benevides, Arte Aplicada (de 7 de Março de 1933 a 31 de Janeiro de 1935) e depois na Escola Industrial de António Arroio (de 1 de Fevereiro de 1935 a 8 de Junho de 1936). Ainda nesta escola desempenhou funções de “auxiliar de secretaria” entre 9 de Junho de 1936 e 5 de Fevereiro de 1942.

Durante o período de vida em Lisboa, morou no Bairro dos Pescadores, na Costa da Caparica, realizando várias exposições em Lisboa e Almada. Na Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes, realizada em 1941, é-lhe conferido o diploma de “Menção Honrosa em Desenho”. No mesmo ano conclui o “Curso de Cenografia” (Diploma datado de 9 de Dezembro de 1941). Na Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes, realizada em 1950, é-lhe  conferido o diploma de “3ª Medalha em Desenho no Salão de Inverno de 1950”.

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Fotografia de 1941, o pintor com as suas obras, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Relativamente ao curso, não chegou a concluí-lo na Escola de Belas Artes de Lisboa. Um dos seus professores exigia que o pintor se rendesse às vanguardas, as correntes artísticas que emergiram na Europa a partir das primeiras décadas do século XX.

Como o Cruz Louro descreve no seu livro de 1973, “Álbum Ilustrado – Terras de Portugal”, a pintura surge “apenas para alimentar o meu espírito, satisfazendo assim a necessidade com que procurava completar-me”. E o seu estilo evoluiu “sem qualquer preocupação de seguir uma escola ou imitar A, B ou C, seguia indiferentemente ao que no mundo se desenrolava nos variadíssimos campos das Artes Plásticas, o meu caminho ou destino, sem qualquer ambição ou preocupação que não fosse aquela de conseguir realizar aquilo que os meus olhos viam e os meus sentidos apreciavam”.

Por respeito aos seus ideais, manteve o seu estilo, um naturalista numa era de artistas modernistas. Para poder concluir o seu curso superior, mudou-se para o norte do país, e concluiu, em 1952, o Curso Superior de Pintura na Escola de Belas Artes do Porto.

Entretanto, o Ministério da Educação Nacional, através de um diploma datado de 26 de Fevereiro de 1938, para “salva e guarda (…)”, autorizara a Francisco da Cruz Louro “o exercício de ensino liceal particular, para as disciplinas de Desenho e Trabalhos Manuais”. Assim, e até 1953, pôde também leccionar nas seguintes escolas: Escola de Arte Aplicada de António Arroio, em Lisboa; Escola de Arte Aplicada Soares dos Reis, no Porto; Escola Industrial e Comercial de Guimarães; Escola Industrial e Comercial da Marinha Grande.

Em 1954, viaja para o Estado da Índia Portuguesa, onde trabalha como professor e director na Escola Técnica Elementar de Margão, na Escola Industrial e Comercial de Pangim e na Escola Técnica Elementar de Mapuçá. É em Goa que conhece a sua mulher, Santana Fernandes. A sua filha, Antónia, nasce em 1959.

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Fotografia de 1962, tirada no Paço Patriarcal de Panguim, em Goa.

Em 1961, graças ao aviso dos militares, consegue enviar a mulher e a filha para Portugal antes da Invasão de Goa. Esta operação militar das forças armadas da Índia acabou com mais de 450 anos de domínio português, resultando na anexação do Estado da Índia Portuguesa à União Indiana.

Após viver quatro meses sob a protecção do Patriarcado das Índias Orientais, regressa a Portugal em 1962. Conseguiu não perder os seus pertences graças ao seu amigo, Dr. Viriato de Albuquerque, director da alfândega, que zelou para que toda a sua obra, e outros parcos bens, chegassem intactos a Portugal.

A sua estadia em Portugal foi curta, pois em 1963 volta a sair do país. Desta vez o destino é Moçambique, e viaja para lá com a mulher e a filha. Trabalha como Professor e Professor-Secretário no Liceu Nacional de Quelimane, e como Professor no Liceu António Enes e na Escola Técnica Elementar Joaquim Araújo, ambas em Lourenço Marques.

Só regressa definitivamente a Portugal em 1970, por ter atingido a idade da reforma. Nessa altura, pede uma licença especial para poder continuar a leccionar, e trabalha como professor na Escola Técnica de Serpa e na Secção Liceal da Escola Industrial e Comercial de Moura.

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Fotografia da década de 70, do pintor a dar uma entrevista ao jornalista Fonseca Gaspar.

Os últimos anos da sua vida foram totalmente dedicados à sua terra natal, trabalhando arduamente para concretizar o seu último grande sonho: a criação de uma biblioteca e Casa Museu que contribuíssem para a divulgação e engrandecimento de Aldeia Nova de São Bento e do Alentejo.

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